25 de abril de 2002 – Natal, Rio Grande do Norte, Brasil – Hotel cinco estrelas, quem diria? – Hoje, por volta das três da tarde, a Varig Nordeste tentou nos levar à ilha, mas as condições climáticas estavam péssimas e acabamos voltando para Natal, no continente. No começo, todos ficaram chateados, mas superamos quando nos hospedaram no Hotel Pirâmide, o melhor de Natal, com jantar e ….
25 de abril de 2002 – Natal, Rio Grande do Norte, Brasil – Hotel cinco estrelas, quem diria? – Hoje, por volta das três da tarde, a Varig Nordeste tentou nos levar à ilha, mas as condições climáticas estavam péssimas e acabamos voltando para Natal, no continente. No começo, todos ficaram chateados, mas superamos quando nos hospedaram no Hotel Pirâmide, o melhor de Natal, com jantar e café da manhã inclusos. Demos um mergulho rápido em uma das piscinas, comemos à vontade e agora vamos dormir em uma das duas camas de casal do nosso quarto.
26 de abril de 2002 – Fernando de Noronha – Em uma ilha do Atlântico – Depois de um farto café da manhã pago pela Varig Nordeste no Hotel Pirâmide em Natal, partimos ao meio-dia e, em quarenta e cinco minutos, avistamos a ilha, onde já eram quase 14h, devido à hora extra necessária por causa do fuso horário mais curto do arquipélago. Na viagem de volta, chegaremos ao continente, naturalmente, ao mesmo tempo que saímos daqui. O velho 737 nos proporcionou um agradável passeio panorâmico pela ilha. Um buggy com placa de táxi nos levou até Vila do Trinta, onde, por acaso, nos hospedamos na Pousada Gilmare. Vila do Trinta é o lugar ideal para ficar, dada a sua proximidade com diversas atrações e praias. Passamos o resto do dia visitando a vizinha Vila dos Remédios, nos informamos sobre mergulho e reservamos um buggy para explorar a ilha com calma amanhã.
27 de abril de 2002 – Fernando de Noronha – Várias praias, muitos peixinhos – Saímos cedo em nosso carro alugado rumo à Praia de Atalaia. Nossa, não saímos tão cedo assim; fomos os últimos a entrar, no último grupo. Eles só permitem a entrada de quatro ou cinco grupos de vinte e cinco pessoas cada, para preservar a piscina natural. A piscina não é muito grande, mas é como entrar em um aquário gigante, cheio de peixinhos e corais de todas as cores. Uma maravilha. De lá, fomos para a Praia do Leão. Longa, avermelhada, com ondas fortes, lindíssima, é um local de desova de tartarugas marinhas. Há estacas numeradas marcando cada ninho. De volta ao buggy depois de um mergulho no mar. Visitamos a Ponta das Caracas e o Forte de São Joaquim do Sueste, do qual não restam ruínas, mas que oferece uma bela vista da Baía do Sueste. Outra etapa do passeio de buggy nos levou à Baía do Sancho. Dizem que é a praia mais bonita do Brasil, o que para um brasileiro significa a mais bonita do mundo. Chega-se à praia descendo uma fenda escura, úmida e estreita, onde foram instaladas duas escadas de ferro, já bastante enferrujadas. A praia tem de tudo: falésias rochosas, uma cachoeira, árvores, areia fina, água verde cristalina, peixes e corais. Com máscara e snorkel, vimos até uma arraia, brincando e buzinando na areia branca e imaculada. De volta às escadas e degraus, continuamos nosso passeio até o Forte do Boldró, onde, além de tomarmos algumas cervejas, apreciamos o pôr do sol, uma tradição local. Retornando à pousada, nadamos e saímos novamente. Visitamos uma terceira operadora de mergulho, concluindo nossa pesquisa de preços. Com a decisão tomada, reservamos, como de costume, com a mais barata: Noronha Diver. Jantamos no Restaurante Tartarugão. Estamos exaustos. Entre o mergulho livre, o sol, as trilhas enlameadas e todas as subidas e descidas, estamos completamente esgotados. Felizmente, já está quase na hora de dormir.
28 de abril de 2002 – Fernando de Noronha – Mais praias e um passeio de barco – Reservamos o passeio de barco na pousada do outro lado da rua, administrada pelo Monsieur Rocha, que descobrimos depois não saber uma palavra de francês e ser mais brasileiro do que sambador. Fomos pagar pelo nosso mergulho e, de lá, visitamos a praia vizinha, Cachorro, à qual se chega por uma escadaria considerável. De lá, uma trilha nos levou à praia da Conceição, mas não fomos até lá. Às 13h, partimos do cais do porto em nosso barco para conhecer as outras ilhas do arquipélago. De volta à ilha principal, avistamos as praias do mar interior, ou seja, aquelas de frente para o continente. São elas, em ordem de aparição: Cachorro, Meio, Conceição, Boldró, Americano, Bode, Cacimba do Padre, Baía dos Porcos, Baía de Sancho e Baía dos Golfinhos. Lá, tivemos a sorte de avistar golfinhos-rotadores fazendo acrobacias na proa do barco. Golfinhos dessa espécie têm o hábito de girar em torno do próprio eixo e mostrar suas barrigas brancas aos turistas. Aqui está um vídeo.
Depois, avistamos o Portão, uma enseada com vista para o mar aberto, que me lembrou a Portada em Antofagasta, Chile. No caminho de volta, paramos na Baía de Sancho para mergulhar com snorkel. Desta vez, encontramos alguns corais lindos e outros peixes que não tínhamos visto em nossa visita por terra. De volta ao cais, um mergulho e jantar de peixe (barracuda e xeré) no Restaurante Gameleira. A gameleira é como uma seringueira, com folhas pequenas, mas com raízes aéreas que pendem como bigodes. Hora de dormir. Alguns dos meus músculos estão em greve.
29 de abril de 2002 – Fernando de Noronha – Mergulho e batismo de mergulho – Estou escrevendo isso depois do café da manhã. À uma hora, nos buscaram para o mergulho. A Glória, uma mergulhadora experiente, fez dois mergulhos de cerca de trinta minutos cada. Eu fiz o mergulho de batismo, com todo aquele equipamento que os mergulhadores usam. Contarei tudo para vocês à tarde, se eu não acabar no fundo. Como vocês podem deduzir desta continuação, eu não me afoguei, de jeito nenhum. Primeiro fomos ao paredão das Cagarras, na Ilha do Rato, onde os experientes, incluindo a Glória, fizeram seu primeiro mergulho. De lá, fomos para a Resurreta, onde chegou a minha vez, junto com alguns outros trouxas. A experiência foi mais fácil do que com snorkel, que eu sempre consigo encher de água. Claro, o instrutor me carregou como uma mala, o que facilitou as coisas. Vi um tubarão e muitos peixes de todas as cores e tamanhos. Quase vi uma lagosta. De volta à superfície, os experientes partiram para o segundo mergulho no mesmo local. Ainda bem que não fiquei presa no Paredão das Cagarras… quer dizer, por causa do nome. Voltamos ao cais à noite; agora vamos comemorar em um bom restaurante.
30 de abril de 2002 – Fernando de Noronha – Um pouco de praia e cerca de vinte nascimentos de tartarugas – De manhã, caminhamos um pouco e visitamos as praias do Meio e da Conceição. Lindas, cheias de corais, com os peixinhos de sempre e alguns caranguejos-pretos não muito amigáveis. No caminho de volta, um vizinho nos contou que haveria nascimentos de tartarugas. Isso porque, se os filhotes não saírem em até 50 dias após a postura dos ovos, os técnicos do Projeto Tamar abrem os ninhos. Então, alugamos o buggy novamente e, depois de visitar as praias do Bode e da Cacimba do Padre, chegamos pela segunda vez à Praia do Leão. A equipe do Ibama já havia marcado linhas na areia, como uma passarela para as tartarugas, onde nós, humanos, não podíamos pisar. As tartaruguinhas saíram correndo como nos documentários e, claro, algumas não sabiam da existência da passarela e foram para onde bem entenderam; Tivemos que nos afastar. Uma cena realmente comovente. O dia ainda não acabou; ainda temos o jantar pela frente.
1º de maio de 2002 – Fernando de Noronha – Mais praias – Mais uma vez em um buggy alugado, partimos bem cedo para a Baía dos Porcos, que, segundo alguns, é ainda mais bonita que a Baía de Sancho. Não pudemos confirmar a veracidade desses comentários: ambas são belíssimas. Mas foi um ótimo presente: nosso roteiro de praias estava completo. Como parece ser obrigatório nas praias de Fernando de Noronha, havia um aquário natural com muitos peixinhos. Entre as pedras, encontramos muitos caranguejos-aratu, que não são aqueles caranguejos meio antipáticos que vimos em outras praias. Aqui, havia alguns exemplares adultos; eles têm uma coloração muito interessante. Espero que as fotos que tirei deles tenham ficado boas. Com o tempo extra do aluguel do buggy, fomos à praia do porto. Ela não tem um aquário natural, mas tem um naufrágio, onde aproveitamos ao máximo nosso equipamento de mergulho e vimos os sempre presentes peixinhos. De volta à pousada, tivemos um pequeno desentendimento com os donos. Presumimos que devíamos R$ 40,00 por dia; mas, segundo eles, a tarifa era por passageiro. Como os preços nas pousadas vizinhas eram semelhantes, tivemos que pagar o dobro. Felizmente, ainda tínhamos dinheiro suficiente: não há Banco do Brasil na ilha, onde guardamos nossas economias cada vez menores.
3 de maio de 2002 – Ubatuba, São Paulo – De volta para casa – Ontem partimos em outro voo da Varig Nordeste. Estávamos preocupados com a pontualidade, já que nosso voo para o sul pela Vasp nos dava apenas duas horas de folga. Tudo correu bem e até conseguimos tirar algumas fotos aéreas da ilha. O problema é que chegamos ao Aeroporto de Guarulhos às nove da noite. Já sabíamos que não tínhamos ônibus para Ubatuba antes das sete da manhã. O que fazer? Sem hotel, sem dormir até mais tarde. Das duas opções, escolhemos os assentos desconfortáveis do aeroporto, até as cinco da manhã. Consegui cochilar por uma hora sentado. Finalmente, chegou a hora, e pegamos o ônibus da Emtu para Tietê, compramos nossas passagens, esperamos mais uma hora no terminal e partimos. Dormi até Caraguá, Glo só um pouquinho. Descemos em frente à minha casa, tudo estava bem. Todas as viagens são maravilhosas, mas a volta também tem seus prazeres.